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Mostrando postagens de agosto, 2024

O Crepúsculo das Ilusões.

Na minha andança nessa terra ingrata,   Só encontrei miséria e desenganos,   E, à medida que avançavam os anos,   Mais ilusões servidas em cascata... Sangrando em dores, meu corpo cansado,   Desiludido de sonhos e quimeras,   Do alvorecer ao crepúsculo, só esperas,   Desfeitas, na solidão do meu passado. Agora, sem a mínima esperança,   Nesse  deserto árido da lida,   Sem lamento, sem louvor, sem aliança... Pois  me restam dessa esquálida vida,   A procissão de horrores na lembrança,   E o final dos meus ais, sem despedida.

Por que ninguém se lembra de Iolanda?

A história de Iolanda, a primeira filha de uma família de nove irmãos, (que seriam dez)revela um aspecto profundo e muitas vezes negligenciado das dinâmicas familiares: a tendência de desconsiderar a memória de crianças que partiram cedo demais. Essa omissão não é apenas uma escolha inconsciente, mas um reflexo de como a sociedade e as famílias lidam com a dor, a memória e o significado da vida curta de uma criança.  Em muitas famílias, a perda de uma criança é acompanhada por um silêncio esmagador. O luto é uma experiência dolorosa que, muitas vezes, não encontra espaço para ser expressa abertamente. No caso de Iolanda, o par de chinelos pequenos é o único testemunho tangível de sua breve existência. Guardá-los no fundo de uma mala simboliza não apenas a lembrança silenciosa da dor, mas também a tentativa de encapsular e esconder o sofrimento que a sua ausência provoca. Este silêncio pode ser uma forma de proteção emocional, onde os pais e irmãos evitam confrontar uma dor tão inte...