MEA CULPA Eu te amo, Embora meu polimorfismo brutal Te deseje com intensidade. Sinto que nem percebes, Pois tua estoica resiliência Bloqueia teu entendimento de mim. Assim, esse amor atônito Vive no âmbito do não ser. As palavras que não digo Ecoam no vazio do silêncio, E o desejo reprimido Transforma-se em dor contida. Cada gesto teu, um enigma, Que minha alma decifra no no silêncio, em segredo, Numa dança solitária e melancólica. Meu coração, uma fortaleza frágil, Resiste à tempestade dos sentimentos. Tua presença, uma chama distante, Que ilumina, mas não aquece. E nesse jogo de sombras e luzes, Nos perdemos no labirinto De um amor que não se concretiza. Mas mesmo assim, eu te amo, Com a força de um furacão contido, Com a delicadeza de um sussurro não ouvido. E aceito, resignado, meu destino, De amar-te na eternidade do não ser, Onde as palavras são prisioneiras do silêncio, Enquanto julgas,o amor, uma promessa não cumprida.