Atanagildo era filho de Gustavo Dias Soares e Briolanja Boson. Herdara do pai a coragem e da mãe uma firmeza que poucos conseguiam dobrar. Alto, espadaúdo e de força incomum, impunha respeito por onde passava. Sua presença bastava para silenciar conversas e conter desaforos. Era um homem admirado por muitos, temido por outros tantos, pois nunca deixava sem resposta qualquer ofensa que lhe fosse dirigida. No sertão, onde a palavra valia tanto quanto a honra, Atanagildo aprendera desde cedo que fraqueza era convite para a desgraça. Naqueles tempos, a pequena vila de Caracol fervilhava nos dias de feira. Era quando homens e mulheres abandonavam os barracões espalhados pelos sertões da maniçoba para adquirir mantimentos, trocar mercadorias, beber, jogar, fazer negócios e colocar as notícias em dia. A praça enchia-se de tropeiros, mascates, retirantes, crianças correndo entre as barracas e trabalhadores marcados pelo sol inclemente. Misturavam-se o cheiro da farinha, do couro, da rapadura, ...