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Mostrando postagens de maio, 2024

Caracol no cangaço I

Corria o ano de 1912. Governava o Piauí o Dr. Miguel de Paiva Rosa. Em Caracol, o Capitão Aureliano Augusto Dias, que há tempos lutava pela emancipação do seu povoado, conseguiu, graças à interferência do Coronel João Augusto Rosa, pai do governador, e do conhecido sertanista Manoel Costa, concretizar o sonho de ver sua terra elevada à categoria de município. Desmembrado de São Raimundo Nonato-PI, foi instalado o governo em 8 de dezembro de 1912, recebendo as bênçãos de Nossa Senhora da Conceição. Foram nomeados para dirigir a nova comuna: como Intendente, o Capitão Aureliano Augusto Dias, líder político local, e como Conselheiros Municipais, o Capitão Reginaldo Augusto Dias, Manoel Luís da Silva, Joaquim Ribeiro Soares, João Sinfrônio Dias e Francisco Dias Pinheiro. O processo eleitoral, no entanto, para a substituição do governador Miguel Rosa, foi bastante conturbado em todo o estado. O candidato eleito para sucedê-lo não assumiu o poder devido à disputa entre grupos políticos, e a ...

Momento de gratidão II

O professor Rocha, como era mais conhecido, foi um filho de Caracol que, nos anos 30, buscou melhorar sua condição de vida. A luta no sertão de Caracol, onde vivia, não lhe proporcionava nenhuma possibilidade de crescimento econômico e intelectual. Com o propósito de evoluir social e economicamente, ele tomou um rumo diferente do usual para seus conterrâneos, que era buscar meios de vida na metrópole paulista, onde as condições de emprego eram mais promissoras. No entanto, o ainda iletrado Antônio Rocha escolheu como destino a cidade do Rio de Janeiro. Ali, sofreu agruras por sua condição de pobre, preto e nordestino. Entretanto, não lhe faltaram perseverança, determinação e coragem para, a muito custo, trabalhar e estudar. Depois de muitas decepções e superações, conseguiu, ainda que a um custo altíssimo, matricular-se no famoso Colégio Pedro II, de difícil acesso e com muita cobrança para cumprir a programação extenuante, especialmente para quem só tinha disposição e carência para en...

Momento de gratidão III

NO PARAÍSO            José Cordeiro Junior  Diz o povo em geral, como é sabido, Que por mãe Eva pai Adão pecou, Simplesmente porque saboreou, Do paraíso o fruto proibido. Se no tal fruto pai Adão tocou Não foi pecado, pois foi iludido Pela serpente, monstro imerecido, Que lá no Éden Deus também botou... Se não quisesse Deus que Adão pecasse, A pérfida serpente não criasse Para habitar o santo paraíso... De duas uma, conclusão se tira: Ou isto de Adão é bíblica mentira, Ou Deus não estava em seu juízo!       CARACOL          José Cordeiro Junior  Amo-te,Caracol,Terra adorável!                       Como são belas tuas verdes matas!     Em teu seio formoso me arrebatas;                   Adoro o clima teu,doce e saudável.                  ...

Amo-te,Caracol!

Ó terra amada, berço que me acalma, Doce refúgio que me inspira a cor, Em teu seio encontro o mais terno amor, E em teus campos, a leveza d’alma. Teus lagos cantam em melódica palma Histórias de um passado encantador, Da minha infância refletindo o esplendor, Como floresce estrela em noite calma! Cada canto teu guarda uma história, Que minha infância lúdica enriqueceu, De belos sonhos gravados na memória. És o meu lar, abrigo e lindo céu! Pra mim, canção de luta, ainda que inglória, Caracol, serás sempre  o meu troféu!

A FUNDAÇÃO FSESP

A FSESP surgiu a partir da união do Serviço Especial de Saúde Pública (SESP), fundado em 1942 com a colaboração do governo brasileiro e da Fundação Rockefeller,  como estratégia de saude  ,nos seringais da Amazônia para a produção da borracha, como matéria prima para o desenvolvimento do esforço de guerra pelos aliados na Europa. A criação da FSESP ocorreu num contexto em que o Brasil enfrentava enormes desafios sanitários, com doenças infecciosas e parasitárias afetando grande parte da população. A FSESP focou em ações preventivas e curativas, principalmente no combate à malária, tuberculose, hanseníase e doenças transmissíveis. Suas atividades incluíam campanhas de vacinação, educação sanitária e melhorias nas condições de saneamento básico, especialmente em áreas rurais e regiões menos desenvolvidas do país. A atuação da FSESP foi marcada por sua abordagem abrangente e integrada. A fundação não apenas combatia doenças específicas, mas também buscava melhorar as condições de...

Tributo aos nossos antepassados

"De onde eles vieram? Quantas lutas já lutaram? Por quanta fome já passaram? – Quantas guerras já viveram? Quantas vicissitudes sobreviveram os nossos antepassados? Por outro lado, quanto amor, força, alegrias e estímulos nos legaram? Quanto da sua força para sobreviver, cada um deles tiveram e deixaram dentro de nós para que hoje estejamos vivos". Nossos antepassados enfrentaram desafios inimagináveis, desde as duras batalhas pela sobrevivência até as adversidades impostas pela natureza e pelo próprio homem. Cada luta travada, cada sacrifício feito, cada lágrima derramada construiu a base sobre a qual nossa existência se ergue hoje. Eles não apenas sobreviveram; eles perseveraram com uma determinação inabalável e uma coragem que nos foi legada como herança inestimável. Seus sorrisos em tempos de paz, seus abraços em momentos de consolo, suas histórias de superação e vitória são alicerces que sustentam nosso ser. Cada antepassado, com sua jornada única e valiosa, contribuiu p...

Epifania

É tempo de Natal, a celebração mais grandiosa da cristandade, um momento em que as esperanças se renovam e o sentimento de fraternidade floresce, preenchendo nossos corações e almas. Neste período especial, elevamos aos céus um cântico sublime: "Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade!" Que a Terra se inunde com a graça do Senhor, refletida no nascimento do Menino Jesus, preenchendo cada um de nós com o mais puro desejo de renascimento e renovação. Que possamos vivenciar de maneira mais intensa o amor, a paz e o perdão, essas forças transformadoras que têm o poder de edificar um mundo com mais justiça social, tolerância e fraternidade. Que estes valores não sejam apenas temporários, marcando apenas o período das festividades natalinas, mas que se enraizem profundamente em nossas vidas, guiando nossas ações e atitudes diariamente. Que a essência do Natal, com seu espírito de união, bondade e generosidade, se perpetue ao longo de todo o ano. Que a luz...

Contexto econômico para a Colonização da Ribeira do Piauí.

O povoamento do território piauiense está diretamente ligado à expansão e conquista de terras promovidas pela Casa da Torre, instituição criada e administrada pela família Dias D'Ávila, da Bahia. O principal objetivo desta instituição era financiar aventureiros –  apresadores de índios e conquistadores de terras destinadas à pecuária – para que desbravassem os Sertões. Após chegarem às novas terras, os Ávila as requeriam por meio de sesmarias. Quando não conseguiam ocupar todas as terras com o plantel de gado da família, repassavam-nas, geralmente em lotes, para rendeiros que se aventurassem a ocupá-las. A ocupação do território piauiense resultou da expansão da pecuária, que encontrou ali várias condições favoráveis ao seu desenvolvimento, tais como: a) Disponibilidade de terras,  quase todas servidas por cursos d'água e pastagens naturais permanentes; b) Chuvas abundantes e melhor distribuídas; c) Facilidade na instalação das fazendas, com poucos recursos em termos de equipa...

74 anos de Emancipação!

Com este breve histórico da minha vivência nos anos 50 e 60, rememoro também, em pequena síntese, a evolução político-administrativa de nossa querida Caracol, que hoje comemora sua emancipação nesta data festiva.  Hoje é dia de festa, dia de relembrar o passado e participar dessas comemorações, mesmo com as restrições impostas pela epidemia. Um povo altivo, que sempre lutou por sua independência, não há de esquecer esta data importante da nossa história. Nossa terra completa 74 anos de emancipação política em sua segunda edição. Em 1912, Caracol foi, pela primeira vez, desmembrada do município de São Raimundo Nonato e elevada à condição de Vila, tendo como primeiro Intendente aquele que lutou pela criação da Vila de Caracol: Aureliano Augusto Dias. Os membros do Conselho Municipal, nomeados pelo governador do Estado, Dr. Miguel de Paiva Rosa, foram os senhores Capitão Reginaldo Augusto Dias, Manoel Luís da Silva, Joaquim Ribeiro Soares, João Sinfrônio Dias e Francisco Dias Pinheiro...

Médico itinerante

Cheguei nesta noite a Teresina, vindo de Terra Nova, para trabalhar em uma empresa local. Fui encaminhado para que o senhor me avaliasse e emitisse o ASO (Atestado de Saúde Ocupacional). Tudo bem... Com você, já são cinco pessoas oriundas dessa cidade que atendi hoje. Para minha surpresa, nenhum reconheceu em mim um conterrâneo, também oriundo daquela terra, fundada por meu avô. Faz muito tempo que saí de lá. Provavelmente, esses jovens que atendi eram crianças, ou sequer tinham nascido, quando trabalhei na terra dos meus antepassados nos anos setenta. Fui o primeiro médico residente naqueles rincões. O trabalho era árduo, extenuante, e as condições técnicas eram precárias: uma casa de saúde improvisada, onde faltava água, não havia energia elétrica, e nem os equipamentos básicos para intervenções médicas. Mesmo assim, mantive a população saudável, atendendo regularmente e raramente precisando encaminhar pacientes para cidades maiores. Fiz meu papel como profissional da saúde comunitár...

Adão não, Ladrão!

Ah, a saga dos pequenos ladrões de frutas da nossa cidade! Tudo começou quando o nosso grupo de vadios decidiu fazer um "ataque" à quinta do Sr. João Caçote, famoso pelas suas mangueiras carregadas de frutas suculentas. Como gafanhotos famintos, devoramos todas as mangas maduras, deixando o pobre Sr. João furioso e sem um centavo no bolso. E lá foi o Sr. João Caçote, com o fígado fervendo de raiva, denunciar o pequeno malfeitor. Mas o problema era que ele não lembrava o nome do pestinha que estava no meio do bando. "Qual é o nome daquele teu filho que parece que tem um ímã para mangas?", ele perguntou ao Sr. Júlio Bento, pai do nosso espertinho. E o Sr. Júlio, tentando ajudar, sugeriu todos os nomes da família, até que o Sr. João soltou: "Adão? Não, ladrão!" E assim fui eu, o "Adão, não, ladrão", alvo da fúria do Sr. João Caçote, levando uns bons bolos de palmatória como corretivo, enquanto os outros escapavam ilesos. Mas não foi só isso, a gente...

Minha casa

Ah! Como sinto falta da infância da minha vida, daqueles alegres dias vividos naquela casa branca de calçada alta, na Rua Grande, do meu pequeno Caracol, com uma porta e três janelas na fachada da frente e com degraus de subida na entrada, que já acessava a sala de visitas. Compunha o restante da residência um quarto, defronte a esta sala, onde dormíamos meu pai e eu, desde a sua viuvez. Descendo mais um pouco para o interior da casa, através de novos degraus e um corrimão à direita, tinha um quarto à esquerda, onde dormiam minhas irmãs: Ivanilde, Elizete e Natália. Iracema já tinha casado e saído de casa. Adhemar, Daltro e Hugo dormiam num quarto contíguo ao das mulheres, em redes, mas havia uma cama para Ademar, que era mais velho e sofria da coluna. Defronte aos dormitórios, havia a sala de jantar com uma mesa bem grande, retangular e um conjunto de oito cadeiras daquelas de Januária (MG), que abriam para serem usadas e fechavam para serem guardadas em pé na despensa. A mesa tinha s...

OS DESCENDENTES DE MANOEL DIAS SOARES

Manoel Dias Soares foi o terceiro filho do Comandante José Dias Soares. Com apenas 12 anos de idade, ele foi sequestrado pelos Pimenteiras em represália à perseguição sofrida pelos colonizadores. Durante décadas, não houve notícias do garoto, filho do conquistador. Quando já não se supunha que pudesse estar vivo, Manoel Dias Soares apareceu em certo dia acompanhado de uma senhora índia de nome Marreca, juntamente com uma prole de 14 filhos que nunca foram registrados nem tiveram identificação formal. Eles não se adaptaram à vida social da vila, por isso foram colocados na fazenda Saco, pertencente a um dos seus familiares, mais precisamente seu irmão Domingos Dias Soares. Ali, desenvolveram novos hábitos e costumes, integrando-se à vida dos colonos e vaqueiros, misturando-se com negros, caboclos e mestiços. Com o passar do tempo, foram se estabelecendo às margens do açude e da lagoa que serpenteavam a vila de Caracol. Ali, viviam de pequenos trabalhos artesanais, como o preparo de cord...

DESCENDENTES DE DOMINGOS DIAS SOARES

Domingos Dias Soares, irmão de Gabriel Dias Soares , Manoel Dias Soares e filho do Capitão José Dias Soares, foi casado com Ana Maria das Neves. Eles tiveram os seguintes filhos: 1. Reginaldo Augusto Dias:    - Casou-se quatro vezes e teve filhos com três das esposas:      - Do primeiro casamento, teve Judith Dias Mariano, casada com Joaquim Gonçalves Mariano.Estes tiveram os filhos:         - Reginaldo Dias Mariano;   - Arnaldo Dias Mariano;   - Francisco Dias Mariano;   - Julia Gonçalves Mariano      - Do segundo  casamento, Reginaldo Augusto Dias teve uma filha:        - Maria da Conceição (Dondon) que teve do seu casamento 8 filhos: Joaquim Reginaldo; Jessé;  Rosa Maria; Regina; Eliana; Jane; Josaphá; Gilka. - Cap.Reginaldo Augusto Dias do terceiro casamento,com Maria da Glória Ribeiro teve dois filhos:       - Gessé Ribeiro Dias que faleceu muito jovem(24 ano...

Descendentes de João Dias Soares.

JOÃO DIAS SOARES, neto do Comandante José Dias Soares, era filho de Gabriel Dias Soares e  irmão de Gabriel Dias Soares Filho. Ele foi casado com sua prima, Ana Joaquina Leopoldina Dias. O casal teve os seguintes filhos: 1. Gustavo Dias Soares; 2. Augusto Dias Soares; 3. João Augusto Dias; 4. Aureliano Augusto Dias;  5. Leovegildo Augusto Dias; (casado duas vezes, não teve filhos) 6.Ana Leopoldina Dias (inupta) 7.Cecília Leopoldina Dias (Sinharinha, inupta e sem filhos) 8. Gustava Leopoldina Dias(casou-se com João Dias de Figueiredo,(vide descendência de Domingos Dias Soares) 9.-Lina Leopoldina Dias (não teve filhos) 10-Odilia Leopoldina Dias(casou-se com seu primo Leopoldino Dias de Figueiredo)( vide descendência  de Domingos Dias Soares) Descendentes de Gustavo Dias Soares . 1-Gustavo Dias Soares, filho  de João Dias Soares, portanto bisneto do Comandante José Dias Soares.Foi casado com a Sra Briolanja Constantina de Sousa Nogueira  Boson Dias. Gustavo e Briol...