Ah, a saga dos pequenos ladrões de frutas da nossa cidade! Tudo começou quando o nosso grupo de vadios decidiu fazer um "ataque" à quinta do Sr. João Caçote, famoso pelas suas mangueiras carregadas de frutas suculentas. Como gafanhotos famintos, devoramos todas as mangas maduras, deixando o pobre Sr. João furioso e sem um centavo no bolso.
E lá foi o Sr. João Caçote, com o fígado fervendo de raiva, denunciar o pequeno malfeitor. Mas o problema era que ele não lembrava o nome do pestinha que estava no meio do bando. "Qual é o nome daquele teu filho que parece que tem um ímã para mangas?", ele perguntou ao Sr. Júlio Bento, pai do nosso espertinho. E o Sr. Júlio, tentando ajudar, sugeriu todos os nomes da família, até que o Sr. João soltou: "Adão? Não, ladrão!"
E assim fui eu, o "Adão, não, ladrão", alvo da fúria do Sr. João Caçote, levando uns bons bolos de palmatória como corretivo, enquanto os outros escapavam ilesos. Mas não foi só isso, a gente também aprontou das nossas ao invadir o pomar da tia Vivi, que tinha goiabeiras e laranjeiras. A tia Vivi, que era mais rápida que um raio, nos pegou no flagra! Eu quase escapei, mas ela me viu passando pelo beco entre o pomar dela e o da vizinha, a dona Mariquinha. Resultado? Chicote de três pontas nas pernas! E olha que ainda havia os incontáveis ataques ao canavial do Sr. Wilson Figueiredo, às melancias da dona Cristina e às quintas do Pirajá do meu pai.
Se fosse hoje, com certeza seríamos considerados pequenos marginais de rua, mas na época éramos apenas uns pestinhas com um ímpeto incontrolável por frutas. E o pior é que essas travessuras não atrapalhavam em nada nossos estudos, nem nossa participação na vida escolar. Eram só diabruras de pequenos viventes sem opção de lazer, levados pelo instinto gregário à participação da vida comunitária, do jeito mais peculiar possível.
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