Toda epidemia constitui um profundo transtorno para os povos atingidos. Calamidades dessa natureza deixam marcas duradouras nas populações de diferentes continentes, e seus impactos se desdobram em múltiplas esferas — sociais, políticas, econômicas e sanitárias. A pandemia da COVID-19, em particular, alcançou proporções avassaladoras em um mundo já fragilizado pela politização excessiva de quase todas as pautas públicas, potencializada pela rápida disseminação de informações (e desinformações) nas mídias sociais, onde convivem ideias conflitantes e interesses divergentes. No contexto da pandemia, inúmeros debates foram travados acerca das melhores estratégias para preservar vidas e, simultaneamente, mitigar danos econômicos. Muitos agentes públicos passaram a defender o isolamento social como medida administrativa imprescindível para evitar o colapso do sistema de saúde, já que uma grande quantidade de doentes graves, concentrada em curto espaço de tempo, ultrapassaria a capacidade ins...