Sou filho das terras além Capivara, berço do homem americano. Mais precisamente, venho das encostas da Serra das Confusões, na orla da Serra Dois Irmãos, onde nossos antepassados expressavam sua cultura em pinturas rupestres. Em tempos mais recentes, nasci em Caracol, onde cresci e vivi entre ruas e vielas, becos e caminhos, campos e várzeas dessa cidade ávida de sonhos e progresso.
Minha história está ligada à figura de José Dias Soares, meu tetravô, visto de forma contraditória: para alguns, um herói e conquistador das terras que povoou com homens e gado; para outros, um predador de indígenas. Como Capitão do Mato autorizado por El Rei de Portugal, comandou várias expedições em busca das nascentes do rio Piauí, onde viviam tribos como a dos Pimenteiras. Esses índios eram odiados pelos fazendeiros que viam seus rebanhos dizimados. Por isso, o governo da Província tinha interesse em afastar ou até exterminar esses povos. O resultado disso é que hoje o Piauí é um dos poucos estados sem áreas indígenas demarcadas, uma consequência das ações de meu antepassado, que recebeu pela sua participação a sesmaria de Caracol, cujos limites ultrapassavam a fronteira baiana e que foi colonizada por seus familiares.
Caracol tornou-se município em 1948, coincidentemente o ano do meu nascimento. Eu fui o caçula dos dez filhos do primeiro casamento de meu pai, que teve mais onze filhos com outra consorte e outros cinco nos intervalos dessas crias. Ninguém se esforçou tanto quanto meu pai para cumprir o "Crescei e multiplicai, e povoai toda a terra!" Foi desse esforço que nasci, vivi e cresci entre as vielas e becos da minha querida Caracol, uma cidade de ilustres e dignas figuras, bem como de indignos canalhas, de homens de bons e maus costumes, e de benfeitores e malfeitores, como sempre ocorre em todos os tempos e lugares do planeta.
Minha educação formal começou na Escola 1º de Julho, seguiu para o Ginásio Santamaria e depois para o Liceu Piauiense. Em seguida, fui para a Fundação Universidade Federal do Piauí, sem cotas e sem queixas, sempre navegando nas instituições públicas. Espero ter contribuído com aqueles que subvencionaram minhas conquistas, pois exerci meu ofício na esfera pública, trabalhando como médico de saúde pública, primeiro na FSESP (Fundação Serviços de Saúde Pública) e, mais recentemente, na Fundação Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Teresina. Fui o primeiro médico convidado para atuar no Programa Saúde da Família (PSF) de Teresina, na Unidade Básica de Santa Maria da Codipe, em 14 de julho de 1996.
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