Malaquias era um marceneiro renomado naquela vila recém-criada, apesar da oposição dos dirigentes do município do qual fora desmembrada. O mestre Malaquias, juntamente com outros marceneiros, pedreiros e serventes, havia chegado ali para a construção das várias casas que surgiram com a emancipação da vila de Caracol. Duas dessas edificações ficaram na memória da população pelos frontispícios artisticamente trabalhados, com a data de suas construções e a fundação da vila: 1912. Eram as residências do Sr. Jaime Figueiredo e do Sr. José Emiliano Paes Landim.
Voltando ao Sr. Malaquias, ele era um senhor respeitoso, um artista da madeira, e cheio de anedotas, muitas delas engraçadas. Mas naquele dia, o Sr. Aristeu Fonseca, comerciante de tecidos e dado a pilhérias, resolveu tirar sarro do velho carpinteiro. Malaquias costumava pegar carona nas refeições do meio-dia, chegando sempre na hora do almoço para conversar com seu patrício. Quando Malaquias se aproximava para juntar-se aos amigos que sempre conversavam à sombra de uma acácia frondosa, bem na frente da residência do Sr. Aristeu Fonseca, o velho comerciante tinha combinado com todos os presentes uma cilada: dera a cada um um palito para que fingissem estar palitando os dentes.
Nesse instante, chega o velho marceneiro e saúda o grupo com um apetitoso "Bom dia, patrícios!" Era assim que se cumprimentavam. Aristeu retrucou: "Bom dia, mas pra mim já é boa tarde, compadre! Como vês, estamos palitando os dentes, acabamos de almoçar agorinha." Isso deixou o marceneiro meio sem jeito e algo constrangido, por esse erro de cálculo não premeditado.
Só mais tarde, quando a conversa se desviava para os assuntos da política local, surge uma criada de Dona Dudu, avisando ao Sr. Aristeu que o almoço estava pronto. E aí foi uma gargalhada geral, e tiveram de convencer o velho Malaquias de que tudo não passara de uma brincadeira do seu compadre Aristeu!
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