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O POVOADO PEIXE E SUA VINCULAÇÃO HISTÓRICA COM A FAMÍLIA DIAS.





O povoado Peixe continua sendo um distrito do município de Campo Alegre de Lourdes, no estado da Bahia. No entanto, tem uma profunda ligação histórica com o estado do Piauí, especialmente através da família Dias de Caracol. Esta ligação se estabeleceu durante a conquista do sudeste do Piauí, que culminou com a expulsão dos índios Pimenteiras da região em 1815. 

Naquela época, as terras conquistadas foram entregues a José Dias Soares, o último dos conquistadores. Essas terras incluíam áreas pertencentes à Bahia, incorporadas à sua sesmaria devido à falta de definição precisa dos limites fronteiriços entre as províncias do Piauí e Bahia.

As terras da Fazenda Peixe foram designadas para colonização ao neto de José Dias Soares, Gabriel Dias Soares Filho. Gabriel estabeleceu-se na região com sua esposa, Benedita Dias Soares, e tiveram nove filhos. Três deles — Jovina Dias Soares, Leôncio Dias Soares e Idelfonso Dias Soares — casaram-se com três irmãos, filhos de Francisco Inácio de Souza Pinheiro, do município de Parnaguá. Esses irmãos eram Francisca de Souza Pinheiro, Ana Rosa de Souza Pinheiro e João Cursino de Souza Pinheiro. Assim, três membros da família Dias Soares uniram-se em matrimônio a três membros da família Pinheiro, cujos descendentes se espalharam pelo Piauí, Goiás, Bahia e Tocantins.

Outras famílias que se estabeleceram no povoado Peixe e se uniram à família Dias Soares foram os Borges de Medeiros, descendentes de Joaquim Borges de Medeiros (Quincas Borges), que inicialmente chegou a Pilão Arcado vindo de Minas Gerais pelo rio São Francisco e, finalmente, à Fazenda Peixe. Isso deu origem aos Dias de Medeiros, com seu maior representante sendo Leôncio Dias de Medeiros, nascido no referido povoado e posteriormente prefeito por vários mandatos de Ribeiro Gonçalves, Piauí.

Oriundo de São Raimundo Nonato, Piauí, chegou ao povoado Peixe o Sr. João Henrique de Macedo com seus filhos José Henrique de Macedo e Francisco Henrique de Macedo (Chico Padre). Este último casou-se com Joana Angélica Dias Pinheiro, neta de Gabriel Dias Soares Filho, enquanto José Henrique de Macedo (Zé Padre) casou-se com outra neta de Gabriel, Maria Dias Pinheiro (Mariquinha). Essas uniões deram origem aos Dias de Macedo. Todos viveram nessa comunidade, então pertencente ao município de Remanso.

A partir de 1920, lideranças das famílias Dias Pinheiro e Dias de Medeiros, incomodadas com o banditismo reinante na região, principalmente pelas lutas entre partidários de Francisco Leobas, político de Remanso, Bahia, e asseclas do Coronel Franklin de Albuquerque de Pilão Arcado, que devastavam a região com crimes, roubo de gado e assassinatos brutais, começaram a migrar para o município de Uruçuí, Piauí. Eles se estabeleceram na margem direita do rio Parnaíba, num lugarejo que chamaram de "Remancinho", hoje uma próspera cidade chamada Ribeiro Gonçalves, fundada por esses catingueiros, oriundos das catingas do Piauí e da fronteira baiana.

Hoje, Peixe é um povoado pacato, habitado por pessoas trabalhadoras. Talvez nem saibam que, no final do século XVIII e início do século XIX, foi berço de importantes famílias que se desenvolveram social, política e economicamente, dando origem a personalidades de renome nos estados do Piauí, Bahia e outros estados da federação. Entre elas, podemos citar Carlyle Guerra de Macedo, Delile Guerra de Macedo e Lair Guerra de Macedo, filhos de Júlio Borges de Macedo, poeta e escritor que conseguiu formar seus dez filhos mesmo nascido nessa pequena e desprovida comunidade. Citamos também Dr. Juscelino Dias Pinheiro e Dilson Dias Pinheiro, filhos de Adelino Dias Pinheiro, fiscal de renda do estado do Piauí, nascido, criado e morador por muito tempo no Peixe. Estes e muitos outros oriundos dos cafundós do Peixe residem hoje em Caracol, Ribeiro Gonçalves, São Raimundo Nonato, Teresina, Distrito Federal, Goiás e Tocantins. Todos são descendentes do "número um" da família Dias no Piauí, José Dias Soares, responsável pela conquista completa do sudeste piauiense no início do século XIX.

Ariosto Dias.

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