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UM JUAZEIRO NO CAMINHO




No caminho do tanque, havia um Juazeiro de copa frondosa e tronco exuberante. Estava ali há décadas, como um marco natural. Diferia com sua coloração esverdeada de tudo que estava próximo, seus galhos repletos de flores e muitos frutos. Era época da safra de juá. Não só as crianças, mas também os animais, como cabras e vacas, aproveitavam essas gostosas infrutescências.

O Juazeiro era também um lugar de descanso para tropeiros e ciganos, que ali arreavam seus alforjes, malas e baús, fazendo morada de tempos em tempos. Para alguns, aquela imensa sombra estava associada a leivozias e muitas histórias do outro mundo. Diziam que os animais refugavam passar ali, sob o velho Juazeiro, mesmo com muita chicotada; pois esses animais viam o que nós, humanos, não víamos: as tais almas penadas.

Apesar de estar próximo da cidade, ninguém se atrevia a passar por ali à noite. Faltavam coragem e pelos para arrepios, pois vinha à mente a história do caboclo Azulão.

Azulão era um cabra pernambucano que tinha vindo para a cidade no tempo da borracha de maniçoba, junto com muitos outros aventureiros, pelos idos de 1916. Certo dia, numa dessas fuzarcas de forró e bebedeiras nos seringais, embriagado e com o peito repleto de ciúme, terminou cometendo o assassinato de um colega de barracão, que bandeava pros lados de Lourdinha, seu xodó – uma cabrocha de ancas fartas e juízo serelepe. Logo após a confusão, ainda cedo da noite, tomou chá de sumiço; ninguém viu por onde se meteu.

A polícia procurou daqui, procurou dali e nada. A noite inteira tentando encontrar o assassino Azulão, e ninguém dava uma pista, até que alguém sugeriu verificar a região próxima do velho Juazeiro. Dito e feito, quando um dos policiais olhou para cima, ainda no lusco-fusco do romper do dia, lá estava um vulto arredondado como um cupinzeiro. Deram ordem para descer, mas ele fez de mouco. Perguntaram quem estava ali. Silêncio.

Nos anos vinte e trinta, a polícia não matava no cansaço, não! Tinha pressa, mais que justiça. Foi assim que derrubaram aquele vulto na bala de fuzil. Caiu como uma jaca. Era Azulão. Por muito tempo, as histórias de assombração em volta do velho Juazeiro, no carreiro do tanque, só se avolumaram.

Hoje, a sombra do Juazeiro é evitada. Dizem que nas noites de lua cheia, é possível ouvir um murmúrio vindo dos galhos, como se o próprio Azulão ainda rondasse, preso entre o mundo dos vivos e dos mortos. Muitos juram ter visto um vulto pendurado, balançando suavemente com o vento. E aqueles que se arriscam a passar por ali, mesmo de dia, carregam no peito um frio que não se explica, um arrepio que não se dissipa.

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