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Discurso proferido, durante a Convenção,em que fui indicado para concorrer à Prefeitura de Caracol/1992

Meus senhores, minhas senhoras, senhores convencionais;jovens de Caracol!

O que assistimos hoje na praça pública foi uma demonstração contundente de que o prestígio político ainda está em voga. Foi uma amostra significativa de quanto podemos contar com o povo, uma prova de que não estamos sós. E quanto ao meu nome ser escolhido pelos senhores convencionais nesta assembleia, quero dizer-lhes do fundo do meu coração que estou extremamente satisfeito e desejo agradecer ao maior líder político de Caracol nos últimos trinta anos, o Sr. Martinho Walter Rodrigues de Figueiredo. Desejo também agradecer à presidente do Partido da Frente Liberal, a companheira Gildete Dias de Figueiredo, e ao presidente do Partido Social Democrático, e meu companheiro de chapa, Gilson Dias de Macedo, conhecido por todos pelos seus serviços prestados à comunidade caracolense. Agradeço também aos senhores convencionais que respaldaram a minha indicação para concorrer à prefeitura de Caracol. Quero agradecer ainda aos companheiros do PMDB que se aliaram à nossa luta, objetivando o engrandecimento da nossa terra.

Para aqueles que ainda não têm um relacionamento mais íntimo comigo, e que vivem mais distantes, desejo assegurar-lhes que quem lhes fala hoje não é o técnico do Ministério da Saúde com 15 anos de experiência administrativa; não é o Coordenador substituto da Fundação Nacional de Saúde, regional do Piauí; quem lhes fala hoje não é o especialista em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública; quem lhes dirige a palavra neste momento não é o profissional especializado em programas de saúde e planejamento estratégico; quem lhes fala não é o membro da Comissão Estadual de Combate à Cólera, como representante do Ministério da Saúde e presidida pelo Sr. Secretário Estadual da Saúde.

Meus senhores e meus amigos caracolenses, quem vos fala agora é o menino Ariosto que nasceu, viveu e cresceu entre vocês, é aquele garoto que sempre esteve acompanhando o dia a dia do seu Januca, seu pai, partilhando de sua luta diária e, nos momentos de folga noturna, ouvindo histórias na calçada do velho Julio Bento. Quem lhes fala hoje é aquele jovem integrante da primeira turma do Ginásio Santamaria, turma de 1965. Quem lhes fala hoje, nesse momento decisivo para o nosso povo, é o primeiro filho desta terra a formar-se em Medicina, e o primeiro a residir em Caracol como médico para servir a vocês. Mesmo antes de se formar, sempre estive aqui, não me negando a atender a todos que me procuravam. Quem fala a vocês hoje é este homem que, voltando à terra, deseja, com o acumulado das informações e experiências adquiridas, prestar serviços ao meu povo e à minha amada Caracol.

Hoje, meus senhores, tenho a compreensão dos problemas graves que afetam o povo pobre da nossa cidade, quer na saúde, na educação ou no setor socioeconômico. Se eleito, com o apoio de vocês, minhas prioridades, elencadas naquele painel, serão a educação básica, saúde primária e justiça social, pois entendo que nenhum povo conseguiu desenvolver-se sem que se fizessem os investimentos necessários em educação. E um povo não pode educar-se se as condições de saúde são desfavoráveis. E saúde não é apenas assistência médica. Esta é apenas um aspecto da saúde que preconizamos: saúde como resultante das condições de educação, saneamento básico, renda familiar, habitação, lazer e acesso à terra.

Aqui, aproveito para fazer uma referência aos nossos amigos dos povoados Cala Boca e Serrinha, que estão passando por um momento de ansiedade, pois estão vivenciando um conflito de terra, onde a presença de grileiros tenta tomar suas propriedades. Quero dizer-lhes desde já que, em mim, terão um grande aliado nessa luta. Esta seria a luta que gostaria de travar se não tivesse a certeza de que o companheiro Walter, ainda neste mandato, envidará esforços para a solução dessa questão. Podem contar comigo, pois tenho a convicção plena de que um dos grandes obstáculos ao desenvolvimento de um povo tem sido a existência de latifundiários que vivem da especulação imobiliária. Para mim, a terra só tem importância enquanto função social. A terra é para produzir e servir à sociedade, e para aqueles que se apegam ao direito de herança, eu lhes digo que mais importante do que a lei de herança é o direito à vida, e não se pode assegurar a vida quando são suprimidos os instrumentos indispensáveis à sobrevivência.

Finalmente, desejo agradecer a presença de todos os companheiros e aliados, dos mais distantes recantos deste município, e assegurar-lhes que, se eleito, estarei a serviço do povo e não os decepcionarei, pois tenho um sonho: a melhoria das condições de vida dos meus conterrâneos. E um sonho, quando sonhado sozinho, permanece apenas um sonho; mas quando o sonho é coletivo, deixa de ser um sonho e torna-se realidade.

Conclamo finalmente a todos para fazer parte desse sonho coletivo e convoco a todos para a luta que ora se inicia...
Até a vitória final!

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