Sinhô Pereira, nascido Sebastião Pereira da Silva, foi um cangaceiro notório no sertão pernambucano, conhecido principalmente por buscar vingança pelo assassinato de familiares. Descendente do Coronel Andrelino Pereira da Silva, o Barão de Pajeú, Sinhô Pereira pertencia a uma família influente de Pernambuco e possuía uma educação satisfatória. Seu ingresso no cangaço ocorreu após a morte de seu irmão Né, assassinado em disputas familiares.
Os irmãos Ferreira, incluindo Virgulino (que mais tarde seria conhecido como Lampião), eram vindos de Alagoas e tinham um inimigo comum com os Pereira: o Sr. José Saturnino. No entanto, os Ferreira não tinham recursos financeiros ou experiência no cangaço, ao contrário de Sinhô Pereira, que já havia se envolvido em conflitos com outras famílias em Vila Bela.
Estudiosos do cangaço apontam que um pedido de Padre Cícero Romão teria sido determinante para que Sinhô Pereira e seu primo, Luiz Padre, deixassem a zona de conflito em Pernambuco em busca de uma vida mais pacífica. Ambos rumaram para o Goiás, com o objetivo de alcançar São José do Duro, atualmente Dianópolis, no Tocantins. Durante a jornada, os primos se separaram. Luiz Padre seguiu pelo Piauí em direção a Urucui e Corrente, até adentrar o Goiás. Já Sinhô Pereira, acompanhado de quatro cangaceiros – Cacheado, Gato, Raimundo Morais e Coqueiro – tentou seguir para Corrente, viajando por Caracol.Nesta cidade foi acolhido pelo coronel Aureliano Augusto Dias.Segundo o escritor William Palha Dias,no seu livro PAPO -AMARELO, DRÁSTICA SOLUÇÃO: “Entraram na rua como se ja estivessem informados da casa onde desejavam aportar.Era um casal excentrico,acompanhados de quatro cabras armados até os dentes.Ao contatar o dono da casa,o homem cuidou de se apresentar: sou Sebastião Pereira,tambem conhecido por Sinhô Pereira,e esta é minha esposa Alina.Estamos vindo do sertão de Pernambuco,e desejamos permanecer por aqui,enquanto nossos animais se restabelessem da estafa da grande jornada, e assim possam encetar nova jornada até alcançar a vila de São José do Duro. Decorridos alguns dias os hóspedes mais familiarizados com o meio,conseguiram local adequado ,onde com mais liberdade pudessem agasalhar-se” . O coronel Aureliano lhe possibilitou uma senhora para servi-los nessa breve temporada,na terra dos maniçobais.
No entanto, a polícia piauiense foi notificada da presença dos fugitivos e iniciou uma perseguição. Em 1918, quando o grupo de Sinhô Pereira estava arranchado em Caracol – alguns dizem que na casa conhecida como Bolandeira , distante um km da Vila. Outros asseguram que estiveram arranchados na casa que mais tarde pertenceria á Dona Cezarina, esposa de João Xavier de Macedo, conhecido como João Caçote –, a quem Sinhô Pereira pagara antecipadamente os serviços domésticos de lavagem , gomaçao de roupas,e preparo das refeições, antevendo surpresas.Eles foram atacados pela polícia estadual, comandada pelo temido tenente Zeca Rubens. Comandando cerca de quarenta homens, entre policiais e civis, Zeca Rubens foi conhecido por sua brutalidade em combate.
Apesar do ataque, Sinhô Pereira, com sua fama de grande estrategista em guerrilha, conseguiu fugir após intenso tiroteio, carregando consigo Cacheado, que estava gravemente ferido. Cacheado acabou falecendo nos braços de Sinhô Pereira próximo ao povoado de Jurema. Após uma longa perseguição, marcada por movimentos de marcha e contramarcha, Sinhô Pereira decidiu retornar a Pernambuco e retomar sua vida no cangaço.
Foi após esse retorno que os irmãos Ferreira, incluindo Lampião, se juntaram ao bando de Sinhô Pereira, que era conhecido também como o "Demônio do Sertão". Até 1922, Sinhô Pereira liderou o grupo, mas decidiu, pela segunda vez, abandonar o cangaço e embrenhou-se nas Minas Gerais, onde enfim conseguiu escapar dessa vida. Antes de partir, ele nomeou Virgulino Ferreira da Silva, o futuro Lampião, como seu sucessor, alertando-o de que "ainda restavam brasas a serem apagadas". A partir desse ponto, Lampião começou sua trajetória como o cangaceiro mais famoso do Brasil, algo que talvez não tivesse acontecido se Sinhô Pereira tivesse conseguido passar tranquilamente por Caracol, em 1918, rumo ao Goiás.
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