A notícia da destruição da Sossego espalhou-se por Caracol como vento de mau agouro. Não houve choro público nem lamentos na praça — o medo já aprendera a calar as bocas. Mas, nas casas fechadas e nas veredas afastadas, o nome de Ângelo Lima era sussurrado com ódio contido.
Naquela noite, Leovegildo Dias reuniu-se com Aureliano em silêncio pesado. Não havia mais espaço para conciliação. A política dera lugar à guerra. Cada fazenda atacada, cada homem humilhado, cada degola transformava-se em combustível para a retaliação.
A resposta veio sem alarde. Não houve ataque direto à Vila — seria suicídio. Em vez disso, os cabras da família Dias passaram a agir nas sombras, conhecedores de cada grota, cada passagem escondida da caatinga. Pequenos grupos surgiam e desapareciam como assombração. Tropas de jagunços a serviço do Intendente foram emboscadas nas estradas de maniçoba. Barracões foram esvaziados durante a noite. Gado roubado retornava aos antigos donos, marcado com sinais silenciosos de desafio.
Ângelo percebeu tarde que o terror não gerara submissão completa. O sertão reagia.
Em resposta, a repressão aumentou. Prisões arbitrárias tornaram-se comuns. Homens foram arrancados de suas casas sob suspeita de colaboração com os Dias. Mulheres passaram a ser vigiadas. A Vila transformou-se em espaço de vigilância constante. O poder do Intendente sustentava-se agora exclusivamente na força.
O sangue começava a correr dos dois lados. E, no sertão, sangue chama sangue.
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