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Da seca ao Olho D'água : A saga da família Pires de Souza


Em 1930, fugindo da grande seca que assolava o Ceará, o jovem retirante Manoel Pires de Sousa atravessou o sertão em busca das terras úmidas do Maranhão, onde imaginava encontrar água em abundância e matas férteis para trabalhar. Exausto da longa travessia pelo Piauí, encontrou pouso em um pequeno lugarejo onde vivia Manoel Agostinho, proprietário da Fazenda Olho d’Água — assim chamada por conservar um pequeno veio de água que garantia a sobrevivência das famílias dali. Apesar das dificuldades do clima, a fazenda sustentava-se com a produção de farinha e com as colheitas de milho, feijão e arroz.
Com o passar dos dias, Manoel Agostinho afeiçoou-se ao jovem viajante, percebendo nele um homem de boa índole, trabalhador e conhecedor dos segredos da terra, além de habilidoso no ofício e dado às letras. Manoel Pires, por sua vez, encantou-se pela jovem Maria, conhecida como Sinhazinha, filha do fazendeiro, que correspondia discretamente aos galanteios do recém-chegado.
O tempo consolidou o afeto, até que “Seu Mano”, como passou a ser chamado, pediu a mão da moça em casamento. Como o enlace agradava ao patriarca, marcou-se a cerimônia para a próxima celebração  religiosa que  ali houvesse. Assim, Mano desistiu de seguir rumo ao Maranhão e decidiu fincar raízes naquela terra árida, porém acolhedora, agora movido pelo propósito de constituir família. A localidade, situada a seis léguas de Teresina, transformou sua rotina: seu Mano viajava com frequência à capital para vender a produção da fazenda e adquirir mantimentos para a vida no campo.
Em Teresina, por intermédio da família de Manoel Agostinho, conheceu uma freira do Colégio Sagrado Coração de Jesus, onde mais tarde passou a trabalhar como motorista, graças à confiança conquistada por seu zelo e dedicação. Acolhido pela Madre Superiora, pôde levar a esposa e os filhos para morar em uma pequena casa pertencente ao colégio. Essa oportunidade garantiu à família condições de vida melhores e acesso à educação de qualidade — sementes que germinaram em notáveis trajetórias.
Dos filhos de Seu Mano e Dona Sinhazinha, duas tornaram- se freira da mesma congregação: Raimunda Nonata e Regina Pires de Souza;Isidoro Pires de Sousa tornou- se Padre, figura respeitada na Diocese, e nas comunidades eclesiais de base (MEB); outros filhos seguiram caminhos igualmente honrosos:Maria das Graças e Silva,como professora,tendo publicado, inclusive  livro sobre Estudos Sociais. Diná  , Enfermeira; Francisco de Assis ,bancário do BB.Todos se destacaram pela dedicação às áreas em que atuaram, contribuindo para a vida cultural, religiosa, educacional e social de Teresina, especialmente nas décadas de 50 e 60.
Dessa união simples e enraizada na fé, no trabalho e na dignidade, surgiram gerações que hoje se espalham por diversos lugares, multiplicando histórias e mantendo viva a memória daquele retirante que, por um acaso do destino, encontrou guarida na Fazenda Olho d’Água — e ali fincou as bases da numerosa e grata família Pires de Souza, sobrenome de alguns descendentes ,e  Pires da Silva, sobrenome de outros.

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