Herculano não tinha ligação com a terra de Caracol. Viera com Ângelo da Jia desde Pernambuco, atraído pela promessa de mando e ganho fácil. Alto, de barba cerrada e olhos frios, gostava de ser temido. Para ele, o poder era espetáculo.
Foi Herculano quem comandou muitos dos ataques às fazendas ligadas aos Dias. Não se limitava a cumprir ordens: exagerava nelas. Gostava de humilhar antes de ferir, de deixar marcas visíveis. A violência, para ele, era linguagem.
No ataque à Sossego, esteve entre os primeiros a entrar. Diziam que foi ele quem autorizou a degola do vaqueiro — não por justiça, mas para agradar ao Intendente e consolidar sua posição. Com o tempo, passou a se comportar como se fosse intocável.
Quando Aureliano retornou, Herculano foi um dos primeiros a fugir. Não por medo, mas por cálculo. Sabia reconhecer quando o vento mudava. Partiu com Ângelo para Pernambuco e desapareceu da história local. No sertão, homens como ele não deixam saudade — apenas rastros de ruína
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