João Olímpio era o oposto de Adriano. Falava alto, ria fácil e tinha fama de valente. Entrara para o grupo de Aureliano ainda jovem, atraído menos pela política e mais pela lealdade pessoal. Via em Aureliano um chefe legítimo, alguém que não mandava apenas pela força, mas pelo respeito construído.
João Olímpio acreditava que a coragem precisava ser vista. Foi ferido duas vezes em emboscadas e recusou-se a deixar o sertão mesmo quando a perseguição se intensificou. Dizia que sair seria admitir derrota. Para ele, a terra só reconhecia quem nela permanecia.
Durante o período mais duro, foi João Olímpio quem sustentou a resistência armada aberta. Muitos dos confrontos diretos com jagunços de Ângelo levaram sua marca. Seu nome passou a circular na Vila como ameaça e como esperança, dependendo de quem ouvia.
No ataque final, foi dos primeiros a entrar nos barracões abandonados. Gritava ordens, chamava os companheiros pelo nome, como se quisesse garantir que ninguém fosse esquecido. Sobreviveu, mas nunca se livrou do peso das mortes que presenciou. Nos anos seguintes, tornou-se homem calado. Aprendera, tarde, que a coragem também cansa
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