Matias era diferente. Também viera com Ângelo, mas não carregava o mesmo gosto pela brutalidade. Entrara no grupo por necessidade, não por vocação. Tinha família distante e aceitara o trabalho como quem aceita uma condenação temporária.
Durante os ataques, Matias muitas vezes ficava para trás. Evitava o confronto direto, desviava o olhar das violências mais extremas. Na Sossego, não participou da degola. Foi visto afastado, vomitando atrás do engenho antes que este fosse incendiado.
Alguns diziam que ajudara discretamente moradores a fugir. Outros afirmavam que passava informações aos cabras de Aureliano. Nunca se soube ao certo. No sertão, a verdade costuma andar escondida.
Quando Ângelo decidiu partir, Matias não o acompanhou imediatamente. Ficou alguns dias escondido, temendo represálias. Depois, desapareceu. Há quem diga que voltou para o interior da Bahia e viveu como pequeno criador. Outros afirmam que morreu cedo, consumido pelo que viu.
Matias representa aqueles que não escolheram a guerra, mas foram engolidos por ela.
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