A decisão do exílio não veio como covardia, mas como necessidade. Permanecer significava condenar à morte os que ainda resistiam. A família Dias precisava sobreviver para que a história não fosse enterrada com os corpos.
Numa madrugada sem lua, Leovegildo deixou Caracol. Não houve despedidas. Apenas o essencial foi levado: documentos, algumas armas, lembranças mínimas. O resto ficaria para trás — casas, terras, memórias queimadas.
Aureliano partiu pouco depois, seguindo caminho diferente, para confundir os perseguidores. Ambos sabiam que, enquanto estivessem vivos, a perseguição continuaria. O poder precisava do silêncio definitivo dos vencidos.
Ângelo Lima consolidava seu domínio na Vila. Para os registros oficiais, a ordem fora restaurada. Para o sertão, porém, a paz tinha gosto de mentira. O medo permanecia, assim como a lembrança da Sossego em cinzas.
No exílio, longe da terra conquistada por seus antepassados desde José Dias Soares, Leovegildo carregava não apenas a dor da perda, mas a certeza de que o sertão não esquece. A história dos Dias fora interrompida, não apagada.
E, enquanto houvesse alguém para contar, a verdade sobreviveria.
O tempo haveria de cobrar seu ajuste.
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