Apesar das perdas, a família Dias não estava só. Havia aqueles que, mesmo sem empunhar armas, ofereciam abrigo, informação e silêncio. Eram pequenos criadores, vaqueiros, antigos agregados — gente que devia sua sobrevivência à proteção antiga dos Dias e que agora se recusava a entregar a própria dignidade.
A resistência não se fazia apenas com tiros. Fazia-se com esconderijos improvisados, rotas de fuga traçadas na memória, mensagens transmitidas por sinais quase invisíveis. Crianças tornaram-se mensageiras. Velhos fingiam ignorância. O sertão inteiro parecia conspirar.
Aureliano, mais político que guerreiro, tentava articular apoio em São Raimundo Nonato, mas encontrava portas fechadas. As lideranças regionais estavam comprometidas com o governo estadual e não desejavam confronto. O nome dos Dias começava a ser tratado como ameaça à ordem pública.
Leovegildo, por sua vez, carregava o peso da terra perdida. Cada fazenda destruída era uma ferida aberta. Ainda assim, mantinha-se firme, consciente de que resistir significava existir.
Mas a resistência cobrava seu preço. Um a um, os aliados mais próximos começaram a cair. Alguns mortos, outros desaparecidos. O cerco apertava. A luta, antes localizada, tornava-se insustentável.
E o sertão, que protege, também denuncia.
Comentários
Postar um comentário