Caracol vivia dias de tensão permanente. As ameaças e perseguições contra os familiares de Aureliano Augusto Dias tornavam-se cada vez mais violentas pelas mãos dos jagunços do Intendente da Vila, Ângelo da Jia. Prisões arbitrárias, agressões físicas, chantagens e intimidações constantes espalhavam o medo entre os moradores.
Diante da indiferença do governo estadual, então sob Eurípedes de Aguiar, Aureliano sentiu que não lhe restava outro caminho. Homem acostumado às durezas do sertão e às leis brutais do coronelismo, decidiu responder à violência com a mesma moeda.Para isso organizou cinco grupos de guerrilhas chefiados por familiares,ou pessoas de sua inteira confiança: O primeiro grupo,chefiados por por Leovegildo Augusto Dias,seu irmão;O segundo comandado por Agenor Bóson Dias, Sobrinho dos dois;O terceiro e quarto grupo capitaneado pelos irmãos Afro, Jerônimo,e Felipe,amigos da família,e de origem baiana; O quinto,e demais grupos tiveram como cabeça os filhos de Aureliano com a ajuda de parentes que habitavam fora do município:Coronel Olímpio da Silva Campinho,e Sinfrônio da Silva,comerciantes em Remanso da Bahia,e André Alves Folha, criador,residente em Santa Teresa,no município de Pilão Arcado.Com essa estrutura militar e financeira organizou um bloqueio em todas as estradas que davam acesso aos municípios vizinhos, proibindo a entrada de mercadorias, animais e armas que pudessem abastecer a Vila durante o período do cerco.
Mais de cem homens armados participaram da ação. O bloqueio era rigoroso, quase impossível de romper. Apenas aliados da família Dias conseguiam atravessar as barreias erguidas em torno de Caracol. A Vila mergulhou em um clima sufocante: o comércio parou, os mantimentos começaram a rarear e o poder do Intendente, pela primeira vez, parecia abalado.
Ângelo viu-se impotente diante da situação. Sem forças para reagir, recorreu a parentes do sertão pernambucano, que lhe prometeram enviar sessenta jagunços para reforçar sua posição e restaurar sua autoridade.
Enquanto isso, o Governo do Estado procurava aparentar neutralidade. Garantiu que enviaria sessenta soldados para assegurar a paz e fez chegar a Aureliano a promessa de uma solução definitiva para os conflitos que incendiavam Caracol.
Mas tudo não passava de uma armadilha.
Confiando na palavra das autoridades, Aureliano suspendeu o bloqueio. Logo percebeu que havia caído em uma esparrela. As perseguições continuaram — e agora ainda mais ferozes. Os “rabudos”, como eram conhecidos os seguidores de Ângelo, interpretaram o cerco, que durara mais de um mês, como uma afronta direta ao poder político local, uma tentativa de humilhar os coronéis da região, aliados do Intendente.
A violência então recrudesceu. O ódio transformou-se em vingança aberta. Para piorar, os soldados prometidos pelo governo chegaram em número muito menor do que o anunciado e acabaram subordinados ao próprio Intendente Ângelo, servindo mais aos interesses do poder local do que à pacificação da Vila.
Caracol, longe da paz prometida, tornava-se cada vez mais prisioneira do medo, da desconfiança e da guerra entre coronéis que parecia não ter fim.
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