As severas acusações que a imprensa vinha dirigindo ao governo do Estado colocaram-no em situação delicada, deixando-o sem condições morais e políticas para oferecer resistência ao afastamento de Ângelo da Jia e de seus seguidores do comando do município, cuja administração havia mergulhado Caracol em um longo período de instabilidade e conflitos. Esse cenário contribuiu decisivamente para o enfraquecimento da autoridade do homem de Tacaratu, bem como a derrocada do preço da borracha de maniçoba que perdeu importancia no mercado internacional ,provocando uma imensa crise nos barracões, com desistência do trabalho e muitos seringueiros abandonando suas atividades e retornando aos seus município de origem.Com tudo isso Angelo passou a perder, de forma visível, o controle sobre os acontecimentos.
Percebendo essa fragilidade, os aurelianistas intensificaram suas ações e redobraram as hostilidades, determinados a abreviar a saída definitiva do adversário. A situação de Ângelo tornou-se ainda mais crítica em razão de outro fator decisivo: dos cem homens armados que aguardava como reforço vindos de Pernambuco, apenas vinte conseguiram chegar em seu auxílio. O pequeno contingente era comandado por seu irmão, Joaquim de Lima, com quem mantinha antigas e irreconciliáveis divergências desde os tempos de Tacaratu. Sua participação na campanha ocorreu mais por insistência dos familiares do que por convicção própria.
Enquanto isso, Aureliano, que havia retornado de Pilão Arcado, e seu irmão Leovegildo, vindo de Remanso, reuniam reforços suficientes para sustentar a luta pelo tempo que fosse necessário. Contudo, antes que novos confrontos ganhassem maiores proporções, tiveram a inesperada notícia de que Ângelo decidira abandonar o cargo de Intendente e regressar à sua terra natal. Diante dessa decisão, restou ao governo estadual providenciar o preenchimento dos cargos deixados vagos pela retirada de seus ocupantes.
A normalização administrativa foi oficialmente registrada pelo jornal O Piauí, em sua edição de 15 de novembro de 1917. A publicação reproduziu a mensagem enviada ao governo estadual:
“Congratulamo-nos com V. Excia. pelo restabelecimento da paz em Caracol. Iremos trabalhar pelo seu levantamento. Saudações: Lino Ribeiro, Intendente; Ildefonso Dias, Juiz; Francisco José, Promotor; Manoel Luís, Presidente do Conselho; Eliacin Muniz, Coletor.”
Com a nomeação das novas autoridades e a reorganização dos serviços públicos, a concórdia voltou gradativamente a se estabelecer no município. Encerrava-se, assim, um dos períodos mais turbulentos da história de Caracol. Após quase dois anos marcados por disputas políticas, confrontos armados e profundas divisões entre grupos rivais, a população sertaneja finalmente podia vislumbrar um horizonte de estabilidade. A retirada de Ângelo da Jia representou não apenas a derrota de uma liderança contestada, mas também o fim de uma fase de intensas lutas que marcaram profundamente a vida política e social do sertão de Caracol. A paz, tão desejada pelos habitantes da região, voltava a reinar na boa terra, abrindo caminho para a reconstrução administrativa e para a retomada da normalidade institucional.
Comentários
Postar um comentário