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EVOLUÇÃO POLÍTICO- ADMINISTRATIVA DO MUNICÍPIO DE CARACOL

A título de explicação por que Caracol teve duas emancipações: uma como Vila e outra como Cidade. No Brasil durante muito tempo, a data correta da fundação de municípios antes da  Proclamação da República  era o dia da criação da vila. Com a vila o arraial ou a freguesia adquiria a sua autonomia político-administrativa, sendo  governada por um Intendente , uma  câmara de vereadores , ou conselheiros que podiam baixar "posturas", que eram espécies de leis municipais, um coletor de  tributos com direito de cobrar impostos, recebia ainda um  juiz de paz, e uma cadeia pública. O título de cidade, durante o início da era colonial, era de caráter honorífico e pouco acrescentava em termos de organização política e administrativa. Unicamente a presença da câmara indicava a existência da célula político-administrativa. Por isto, hoje, equivocadamente, muitos municípios brasileiros criados no período imperial ou durante a colonização portuguesa comemoram o dia...

Saúde para todos até o ano 2000.

Em 1977, durante uma Assembleia Geral, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou um grande desafio aos membros das Nações Unidas (ONU): o movimento SAÚDE PARA TODOS. Até hoje, essa meta ainda não foi alcançada. Mas o que significa saúde para todos? Como essa meta pode ser caracterizada, considerando que a OMS define saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças? Essa definição amplia o conceito de saúde ao incluir o elemento social, e, infelizmente, o que observamos em grande parte do mundo é a falta dos elementos essenciais para a saúde, como saneamento básico, educação sanitária, higiene alimentar, habitação adequada e salários dignos que atendam às necessidades individuais e familiares. Não queremos ser pessimistas, mas é evidente a necessidade de um grande esforço de todos os governos e países, especialmente dos chamados emergentes, para implementar reformas amplas não só no setor da saúde, mas também nas esferas política, ...

O bode expiatório da Crise Energética .

 com a máxima eficiência:Para Sobretaxar Danosamente os Brasileiros(PSDB). .Artigo publicado no período do apagão  de energia no governo FHC/,no Diário do Povo. O governo federal, mais uma vez, na tentativa de ocultar sua incompetência em relação à política energética e na ânsia de fazer caixa para atender às exigências de organismos financeiros internacionais, acaba de elaborar um "plano de racionamento de energia" que, como em outras ocasiões, penaliza a classe média, sempre chamada a pagar pela incúria e irresponsabilidade de governos que negligenciaram investimentos no setor elétrico. Ao afirmar que desconhecia a iminência de uma crise, o governo apenas agrava sua responsabilidade pelas consequências desse plano discriminatório, injusto e, na visão de muitos juristas, inconstitucional. O aspecto mais criticado do plano, que tem provocado repulsa entre os usuários do sistema, diz respeito à sobretaxa. O governo impõe uma redução de 20% no consumo médio trimestral de energi...

Origem da família Macedo a partir do Cap. José Dias Soares.

Na primeira metade do século XIX, um jovem chamado João Henrique de Macedo deixou Feira de Santana e estabeleceu residência no município de São Raimundo Nonato-PI, atraído pelo grupo de parentes já estabelecido na região. Com seu trabalho árduo, adquiriu uma propriedade que denominou "Fazenda Flecha", onde viveu por muitos anos. João Henrique de Macedo casou-se com Maria da Conceição de Castro, uma membro proeminente da família de São Raimundo Nonato, que passou a assinar Maria da Conceição de Castro Macedo. Dessa união, nasceram quatro filhos: Macário Henrique de Macedo, Francisco Henrique de Macedo, José Henrique de Macedo e Henrique de Castro Macedo. Após o falecimento de Maria da Conceição, João Henrique retirou-se da Fazenda e foi morar no Povoado Peixe, na Bahia. Algum tempo depois, casou-se com Medrada Borges de Medeiros, com quem teve mais dois filhos: Medrado Borges de Macedo e Francisco Borges de Macedo. Medrada era filha do gaúcho Joaquim Borges de Medeiros. Dos do...

O TANQUE VIROU SERTÃO

Por muitas décadas, o açude não sangrou. Era lindo vê-lo cheio, aquele mar d'água com seus paturis, mergulhões e teténs barulhentos que atraíam caçadores de várias cidades. As águas se estendiam da parede do sangradouro até próximo à casa da Dona Ernestina, chegando ao sítio Pirajá, formando um verdadeiro diadema líquido que envolvia e abraçava nossa cidade. O açude tinha um grande volume de água e muita serventia. Lembro-me dos meninos mais afoitos tentando atravessá-lo, partindo do "banheiro das mulheres," no lado próximo ao sítio do Sr. Mário Lordes, até chegar ao "banheiro dos homens," na outra margem do açude, próxima à casa do Sr. Manoel Bento. Para ir ao bairro Maranhão, ou simplesmente ao "Outro Lado," como também era conhecido, só de canoas, tendo como ponto de desembarque os coqueiros da Dona Borrega, e no outro extremo, um ponto entre as mangueiras da "Tia Vivi." A "Tapagem" era uma via alternativa para esses deslocamento...

O Assombrado

Voltei do médico aliviado: meus exames estavam todos normais, evidenciando um bom controle da minha saúde física. Esse aparente bem-estar, no entanto, não revelava minhas idiossincrasias, medos, angústias e subjetividades. Nunca exagerei na alimentação, talvez para compensar minha inatividade física. Tenho um comprometimento genético que me predispõe ao acúmulo de gorduras nos vasos, alimentando minha hipocondria – um medo que carrego desde a infância.  Cresci no Caracol, um vilarejo com no máximo 200 casas, onde meu pai era um próspero comerciante. Ele vendia de tudo: desde medicamentos naturais como pílulas do Dr. Ross, Robusterina, Capivarol, até mercadorias triviais como açúcar, café em grãos, sal grosso, arroz e enfeites para caixão de defuntos. Meu pai era o único na cidade a vender esses enfeites, ornamentos em papel alumínio para assegurar um ar respeitoso ao falecido. Estavam sempre nas prateleiras inferiores, para as quais eu não tinha coragem de olhar. Quando o fazia, er...

Noite de Sangue e Esperança!

Sob a luz sinistra da lua de sangue, um vento lúgubre varria o sertão, carregando consigo o canto melancólico da acauã, um lamento ancestral que pedia chuva para a terra árida. Na casa simples, a apreensão pairava no ar como uma névoa densa. Tia Rosa, figura venerada por todos como parteira experiente, fervia água em uma panela de ferro sobre trempes de pedra basalto. Dentro da panela, repousavam uma tesoura Mundial e uma faca pequena, ferramentas de seu ofício. Do lado de fora, em bancos de madeira rústicos, os homens conversavam em voz baixa sobre a seca implacável que assolava a região, as plantações secas e o gado sedento. As procissões lideradas por Dona Julia Batata, Dona Conceição Benevenuto e Dona Bárbara, mulheres devotas conhecidas por suas orações para trazer a chuva, ainda não haviam surtido efeito. A angústia se intensificava com a demora no parto de Dona Maria, que se encontrava no rodeador  há mais de 24 horas. O velho João, seu marido, observava-a com o coração aper...